quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Drogas: oficinas educacionais além de palestras

Acho tão bonito, tão lindo e tão redondo o assunto: políticas antidrogas. São tantas palestras, com especialistas, depoimentos de ex-usuários, filmes, slides, etc. Salas, auditórios e pátios de escolas lotados. Tudo que a tecnologia oferece é utilizado no sentido de atrair e alertar, chocar nossa juventude para os malefícios e consequências que usuários e possíveis usuários podem encontrar na vida ao se adentrarem a um mundo tão artificial, tão ilusório e tão mesquinho.


O crescente aumento nos índices de usuários de drogas, principalmente do “fatal” crack tem causado preocupações em toda a sociedade: igrejas, famílias, escolas, etc. Todas as pessoas em sã consciência têm buscado cada dia mais, mostrar a nossa juventude os males que a utilização de tais entorpecentes podem causar.

Eu me pergunto e deixo registrado aqui minhas indagações: até quando palestras vão resolver tais questões? Por que tantas e repetidas palestras tem causado tão pouco efeito e tão rapidamente os índices que apontam o crescimento no número de viciados é cada vez mais alarmante? As palestras são boas, são atraentes, comoventes como são as palestras de Ricardo Ribeirinha, das quais já tive oportunidade de assisti-las. Mas sozinhas não causam os efeitos desejados.

Cabe aqui questionar, será que não está na hora do Estado pensar em alternativas verdadeiras, mais sutis e mais eficazes no sentido de combater esse câncer social que são as drogas, principalmente em nossa juventude? Sim, estou falando de políticas públicas práticas e efetivas que envolvam de fato as/os adolescentes em aulas/oficinas de expressão artísticas como canto, violão, percussão, teatro, dança, pintura, artesanato e esportes em todas as modalidades: vôlei, futebol, handebol, natação, atletismo etc. Ocupando assim o tempo de forma criativa, ora ocioso, de nossos/as atuais cidadãos/ãs e futuros adultos, pais ou mães de família e estimulando seu desenvolvimento intelectual e sua formação cidadã plena.

São ações que solicitam o esforço político ao solicitarem infraestrutura, mas apresentam resultados a pequeno, médio e longo prazo. Por que não transformar esse quadro de drogadição em um quadro de atletas para concorrerem em pé de igualdade com países como EUA, Cuba e China nas Olimpíadas de 2016? Ou mesmo em artistas que fazem das aberturas dos eventos esportivos como a Copa do Mundo de 2014, um verdadeiro espetáculo?

E ainda criam uma cultura voltada para o ócio produtivo, saudável, movimentando as economias locais com campeonatos, apresentações artísticas e outros serviços que o espaço do lazer contribui para a dinâmica social.É preciso pensar, planejar e agir. É preciso empregar melhor o dinheiro arrecado dos nossos dolorosos impostos em busca de uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais segura e mais saudável. Deixar cair por terra o pensamento de que “Punir é preciso. Educar não, não é preciso”.
 
Cláudio Carvalho Bento é cientista social pela Universidade Federal de Goiás, especialista em docência no Ensino Superior pela Faculdade Católica de Anápolis e professor de Sociologia no Centro de Ensino Médio Ary Ribeiro Valadão Filho em Gurupi.

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