sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Loucos por Compras

Jovem brasileiro é considerado um dos mais consumistas do mundo. Conheça algumas pessoas de Palmas que se consideram integrante desse universo

Jarlene Souza
Palmas

Quem não gosta de fazer compras? Seja pelo usufruto do novo bem adquirido ou pelo simples prazer que a compra proporciona, os benefícios são notórios e geralmente inquestionáveis. Mas há aqueles que compram compulsivamente pelo status, para satisfazer suas carências e pelo simples ato de obter novos produtos. Esse ato de comprar o desnecessário e excessivamente é chamado de consumo compulsivo. Uma pesquisa realizada no Brasil pelo Instituto Akatu, com base em estudo da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), com jovens de 24 países dos cinco continentes, coloca os jovens brasileiros no topo dos mais consumistas. Dos 259 entrevistados, de nove regiões metropolitanas no país, 37% apontaram as compras como um assunto de muito interesse no dia a dia. Para 78% deles, a qualidade é o principal critério de compra, seguido pelo preço.

Palmas
Palmas não fica fora deste contexto, como mostra a publicitária Karousy Kristina Vanderly Dall`Agnoll, 24 anos. Qualidade e grife são palavras chaves no seu critério de compras. “Prefiro as roupas de marca. Com certeza a qualidade e a durabilidade é bem melhor, por exemplo, os sapatos não compro sem ser de grife. Os outros são desconfortáveis, sem contar que tem a questão do status também”, pontua.

Conferindo as novidades das lojas do novo shopping da Capital, já com várias sacolas à tira-colo, a publicitária confessa que é uma consumidora um tanto compulsiva, no entanto, mediante aos transtornos anteriores, ela tem se controlado mais na hora da compra. “Antes realmente eu era uma consumidora um tanto compulsiva. Bastava me sentir triste que ia às compras, chegava a estourar o cartão de crédito e ficar bem apertada no fim do mês, agora estou trabalhando mais para melhorar este comportamento”, conta Karousy.

Satisfação

“Comprar dá uma sensação de poder, satisfação, vaidade e aumenta a autoestima”, declara a pedagoga Luana Cristina Santos. Apesar de mal conseguir carregar as sacolas, da recente compra e definir o prazer da compra com propriedade, a pedagoda afirma que não é uma compradora compulsiva. “Como toda mulher, gosto muito de comprar, no entanto, sou bem controlada. Busco o equilíbrio e gasto apenas aquilo que posso pagar”, explica Luana, confessando que hora e outra, quando está triste, faz umas comprinhas para melhorar o astral. “Mas quando percebo que fiz uma extravagância, já economizo em outra coisa”, argumenta.

Motivos

Em entrevista ao site oficial do doutor Drauzio Varella(www.drauziovarella.com.br), o médico e professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), André Malbergier, disse que no que se refere às compras, em primeiro lugar, é preciso lidar com a questão comportamental. “É recomendado restringir as oportunidades de acesso às compras, como se faz com as drogas. Como medida inicial também é bom procurar suspender o montante de dinheiro que chega às mãos dessas pessoas, consideradas consumidores compulsivos”. alerta o médico.

Segundo Malbergier, existem até alguns estudos com medicamentos antidepressivos para controle da compulsão por compras, mas sempre fica a dúvida sobre sua verdadeira eficácia. Para ele, são vários os motivos que movem uma pessoa a comprar. “Pode ser uma necessidade real, carência afetiva, manutenção do status, adquirir poder ou projeção imediata, modismo, apelo do marketing, influência de determinado grupo de convívio, ilusão de segurança e muitos outros, que levam ao excesso de compras”, explica.

Sabendo disso, o mercado sempre oferece algo novo para ser consumido com a promessa de ser mais bonito, mais prático e mais eficaz. “Isso com o objetivo claro de desencadear em todos a compra por impulso, aquele algo a mais que é comprado, em geral, atraído pelo apelo publicitário instantâneo”, conclui o especialista.

Saiba mais

Dicas para lidar com a compulsão na hora de comprar
Saia de casa com apenas o dinheiro mínimo necessário
Não saia com talão de cheque. Ou carregue na bolsa apenas uma ou duas folhas do talão
Não leve o cartão de crédito ou de débito
Se possível, nem tenha cartão de crédito
Faça mentalmente o caminho que irá percorrer até o local que você deseja. Isto é essencial para que não se desvie ou passe por lojas conhecidas e por vitrines tentadoras
Se estiver se sentindo muito entusiasmado ou contente, evite olhar anúncios ou passar por lojas
O mesmo vale para quando estiver se sentindo muito triste ou frustrado
Se tiver algum excedente em dinheiro, invista em aplicações que penalizem com alguma perda caso retire o dinheiro antes do tempo contratado.

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